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Como se ensina / aprende Patologia?

Na última semana, participei de um curso de atualização pedagógica na instituição de ensino em que trabalho, dentro de todo aquele universo de assuntos, alguns questionamentos levantados me chamaram atenção - Como se aprende? De que forma o ser humano assimila o conhecimento? Quando o aluno não aprende de quem é a culpa? Do professor? Do aluno? Das técnicas de ensino? Existe culpado? E então, trazendo isto para minha realidade mais próxima, como professora de Patologia Oral/Geral, como se ensina/aprende Patologia?

Várias teorias foram demonstradas e discutidas no curso para tentar responder estas perguntas, cada uma com seus defeitos e virtudes, mas mesmo assim, a dúvida permaneceu, tentei de todas as formas responder e não consigo chegar a uma conclusão sensata, fechada e, refletindo muito, não se soluciona a questão, porque não existe resposta, não existe um só culpado pelo contexto atual da educação, nós estamos dentro de uma engrenagem que vem errada desde que nascemos, estamos acostumados a um processo educativo, onde o aluno é um mero expectador, um ser passivo, ao qual só é dado a possibilidade de memorizar e reproduzir, onde a capacidade de construir um pensamento reflexivo crítico lhe é negada.

Por outro lado, o professor é considerado o detentor do saber, ele é o centro do processo, a ele cabe dar a aula, muitas vezes, despejando um conteúdo resumido, mastigado, preparado sob “seu ponto de vista”, como sendo aquilo o mais importante para o aluno, que apenas ouve, copia e faz a prova, configurando, portanto, uma postura extremamente autoritária. Vivenciamos um sistema onde não se preza pelo diálogo, pela troca, pelos questionamentos, pela discussão, pelo debate e pela disputa intelectual, estes sim, os verdadeiros caminhos, ou melhor, os meios até agora comprovados, para a construção e a evolução real do conhecimento. Estamos viciados em apenas um tipo de técnica didática, ou seja, a aula expositiva, e quando não, no máximo, aos seminários, na maioria das vezes, conduzidos de forma distorcida, sendo nada mais que a “aula expositiva só que dada pelos alunos... (Balzan, 1980)”. Não que exista fundamentação baseando que qualquer técnica de ensino seja melhor que a outra, a técnica correta é aquela que consideramos eficaz, aquela em que observamos resultados positivos, porém, as mesmas, não devem ser seguidas como uma receita de bolo para todas as turmas, uma vez que cada turma tem suas peculiaridades, suas vivências distintas.

E quanto à questão da avaliação? Esta sim, se configura, ao meu ver, no verdadeiro calcanhar de Aquiles do processo educativo, qual a melhor forma de se avaliar o aluno? É necessária realmente a avaliação? Posto que sim, como fazer para transformar este processo de uma prática de exclusão num fenômeno de inclusão? Se não, como verificar a aprendizagem? Este, para mim, realmente é o ato mais difícil do “ser professor”, como não tentar uniformizar os alunos, como associar tantas pessoas que vieram de famílias, experiências, ambientes e condições sócio-econômicas tão divergentes, com capacidades de aprender tão singulares no mesmo barco? Como ser justo ou não ser injusto...?

Claro, que esta situação não é generalizada, não podemos ser assim tão pessimistas, certamente, existem outras situações de ensino/aprendizagem bem mais favoráveis que as acima delineadas, convenhamos, porém, que são pontos isolados, mas nem por isso devemos nos desanimar, cabe a nós profissionais da educação, porque é assim que nos devemos portar, como educadores e não como meros professores de determinadas técnicas, acreditar que novas e melhores formas para ensinar/aprender estão constantemente sendo construídas e testadas e algumas com resultados bem positivos, isto vai exigir de nós uma constante busca pela superação, um constante movimento no sentido de buscar alternativas viáveis para construção de um conhecimento transformador, tentando da forma melhor possível, democratizar a relação professor/aluno.

Devemos lutar pela formação não de meros técnicos, mas sim de cidadãos completos, que possuam postura profissional e ética, com consciência do seu papel na sociedade e que valorizem “o ser” e nós que estamos inseridos na área da saúde, temos uma missão, talvez ainda maior, ou seja, buscar a humanização da saúde, que é um processo complexo que carece sobremaneira da convergência de esforços coletivos para tornar-se uma realidade.

Márcia Cristina da Costa Miguel
Professora Adjunta da Disciplina de Patologia Oral
e do Programa de Pós-graduação em Patologia Oral da UFRN
marcia@patologiaoral.com.br