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SIALOLITO GIGANTE EM DUCTO SUBMANDIBULAR
GIANT SALIVARY SIALOLITH IN SUBMANDIBULAR DUCT
• Doutora em Patologia Bucal pela Faculdade de Odontologia de Bauru - USP, Professora Assistente das Disciplinas de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial da Universidade do Sagrado Coração (USC), Bauru / SP
• Mestre em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela Faculdade de Odontologia de Araçatuba UNESP, Professor Assistente das Disciplinas de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial da Universidade do Sagrado Coração, Bauru / SP
• Doutor em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela Faculdade de Odontologia de Araçatuba UNESP, Coordenador das Disciplinas de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial dos Cursos de Graduação, Especialização e Mestrado em Cirurgia Bucomaxilofacial da Universidade do Sagrado Coração, Bauru / SP
• Mestranda em Estomatopatologia pela Faculdade de Odontologia de Piracicaba – UNICAMP
Correspondência para:
Mariza Akemi Matsumoto
e-mail: vicmak.blv@terra.com.br
Universidade do Sagrado Coração–USC
Departamento de Ciências Biológicas e Profissões da Saúde
Rua Irmã Arminda 10-50 - Jardim Brasil
Bauru / SP
Cep: 17044-160
Resumo
Palavras-Chave: sialolito, sialolitíase, glândula salivar
A sialolitíase apresenta-se como uma das patologias mais freqüentes das glândulas salivares, acometendo as glândulas maiores e menores, mas especialmente o sistema ductal da glândula submandibular. Na maioria das vezes, os cálculos salivares envolvidos não ultrapassam 1cm de extensão. No entanto, observa-se que alguns deles podem atingir grandes proporções e peso, sendo desta maneira denominados gigantes ou mega sialolitos, causando grande desconforto ao paciente acometido. O presente artigo relata um caso clínico de paciente portador de cálculo salivar gigante em ducto de glândula submandibular enfatizando suas características radiográficas e macroscópicas e faz uma breve discussão sobre o assunto.
Introdução
Os sialolitos são estruturas mineralizadas que podem se formar no interior das glândulas salivares maiores e menores, bem como nos seus sistemas ductais (Carr 1965). Sugere-se que sua formação se dê pela deposição de sais minerais ao redor de acúmulos de muco, bactérias e células epiteliais descamadas no interior das glândulas (Bodner 2002). A maior incidência ocorre nas glândulas salivares maiores, especialmente no ducto da glândula submandibular, devido a sua secreção salivar ser mista, mucoserosa, espessa e viscosa, apresentando um elevado conteúdo de mucina o que favorece a aderência de partículas. Outro fator predisponente é o trajeto do ducto de Wharton, longo e tortuoso dificultando a ação da gravidade e facilitando a sua obstrução. (Leung et al. 1999, Jaitt et al. 2000).
De acordo com Bodner (2002), a maioria dos sialolitos, cerca de 88%, apresentam-se menores que 1cm, sendo considerados gigantes quando maiores que 15cm. No entanto, poucos registros do peso dos sialolitos são encontrados na literatura. O presente caso relata um sialolito de tamanho e peso incomuns acometendo o ducto de Wharton.
Relato de Caso
Paciente do sexo masculino, 38 anos de idade, compareceu ao Serviço de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial da Universidade do Sagrado Coração (USC), Bauru, SP, com queixa de dor intensa em região submandibular do lado direito. Ao exame clínico extrabucal notou-se edema na referida região, firme à palpação. À palpação intrabucal, era possível sentir um nódulo firme na região relativa ao ducto de Wharton. O paciente não soube precisar o tempo de evolução da alteração, no entanto, em alguns dias precedentes à primeira consulta relatava piora nos horários das refeições. Procederam-se os exames radiográficos, com tomada ortopantomográfica, teleperfil e oclusal de mandíbula (Figura 1a, b, c), os quais revelaram presença de grande estrutura mineralizada na porção
anterior do ducto excretor da glândula submandibular, levando à hipótese diagnóstica de sialolitíase associada a sialodenite. Administrou-se o antibiótico amoxicilina 500mg, 3x ao dia durante sete dias, com sensível melhora do edema e dor. Após este período, realizou-se a exérese do sialolito com anestesia local e acesso intrabucal. O sialolito removido foi medido e pesado, registrando-se dimensões de 23x15x13mm e 1,74 gramas (Figura 2). A glândula submandibular foi preservada, uma vez que o cálculo não envolvia a mesma.
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Figura 1 - Imagens radiográficas do sialolito: a) visão panorâmica b) oclusal e c) lateral, mostrando uma grande massa radiopaca no ducto de Wharton.
Figura 2 - Aspecto macroscópico do cálculo salivar removido do ducto da glândula submandibular |
Discussão
Os cálculos salivares, ou sialolitos, são massas mineralizadas que se formam no interior das glândulas salivares, bem como em seu sistema ductal. A glândula submandibular mostra-se mais susceptível ao desenvolvimento destes cálculos por apresentar secreção mais alcalina com altas concentrações de cálcio e fosfato, e maior quantidade de mucina, comparada às glândulas parótida e sublingual. Além disto, o ducto da submandibular é longo e tortuoso, facilitando a formação dos sialolitos.
Usualmente, o diagnóstico de sialolitíase se dá por meio de exames clínico e imagenológicos. Em casos de obstruções glandulares recorrentes onde não se detectam imagens por meio de radiografias convencionais e sialografia, a endoscopia tem sido indicada com sucesso (Yuasa et al. 1997, Nahlieli & Baruchin 1997). Um sinal clínico bastante evidente da sialolitíase é o aumento de volume da glândula afetada, principalmente nos horários de refeições (Naraynsingh 1985). Os sintomas podem estar ausentes quando a saliva flui entre o cálculo e a parede do ducto; porém, dor intensa pode estar presente quando ocorre uma obstrução completa (Zakaria 1981). Não raro, pode ocorrer a contaminação local e formação de abscessos (Hoggins 1968, Shinohara et al. 1995; Karengera et al. 1998).
No presente caso, o paciente relatava sintomatologia dolorosa e edema que aumentavam nos horários das refeições. No entanto, nos dias precedentes à consulta, a dor era constante devido à contaminação local.
Observa-se na literatura, uma variação no tamanho e peso dos cálculos salivares. Rust & Messerly relataram, em 1969, a presença de um sialolito de 51mm de comprimento removido do ducto de Stenson. O cálculo retirado por Raskin et al. (1975) do ducto da submandibular apresentou 55x20mm, pesando 9,5g. Brusati & Fiammingh (1973) relataram dois sialolitos em um mesmo ducto submandibular, com um deles medindo 8,6mm com peso de 2,7g, e o segundo 27,31mm, com peso de 15,2g. Chamou a atenção a desproporção entre tamanho e peso do presente sialolito, extremamente leve para suas dimensões, em concordância com Leung et al. (1999), os quais removeram um cálculo salivar de 14x9mm, pesando 0,48g. Apesar destas considerações, não se encontram na literatura subsídios que justifiquem estas variações no peso dos sialolitos, possivelmente associadas aos seus componentes minerais e orgânicos, os quais aparentemente não influenciam de maneira significativa no desenvolvimento e resolução da patologia.
O tratamento depende da localização do cálculo salivar e do seu tamanho. Quando no interior das glândulas, sua excisão cirúrgica juntamente com a glândula afetada se faz necessária; quando localizado no ducto, apenas sua remoção é suficiente (Zakaria 1981, Naraynsingh 1985, Karengera et al. 1998). Métodos menos invasivos estão sendo preconizados no intuito de se preservar as glândulas acometidas, bem como estruturas nobres adjacentes, como o uso de cateteres (Yoshino et al. 1996) a endoscopia e a litotripsia (Yuasa et al. 1997, Nahlieli et al. 1997, Escudier & Drage 1999). No entanto, tais técnicas são indicadas para sialolitos menores que 15mm de extensão, e a aderências às paredes dos ductos e trajetos tortuosos são um impedimento para sua realização.
Abstract
Sialolithiasis is one of the most frequent pathologies of the salivary glands, involving both major and minor glands, but especially the ductal system of the submandibular gland. In the majority of the cases, these sialoliths do not surpass 1cm of extension. However, eventually some of them can reach large sizes and weight, when they are called giant sialoliths or mega sialoliths, causing a lot of pain and discomfort to the patient. The present article reports a clinical case of a patient presenting a giant salivary stone in the submandibular duct, focusing on its radiographic and macroscopic features, and also presents a brief review of the literature about the subject.
Keywords: sialolith, sialolithiasis, salivary gland
Referências Bibliográficas
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